Blog Carolina Ribeiro - Maternidade, cotidiano e feminices

AINDA SOU ALTERNATIVA?

19 de janeiro de 2018

Há tempos eu gostaria de voltar a falar sobre moda alternativa no blog, mas num belo dia eu me perguntei "será que EU ainda sou alternativa?". Desde que engravidei meu estilo mudou muito, seja pela inevitável maturidade que me acompanhou nesse processo ou pelas mudanças no meu corpo (que também não foram nada suaves).

Eu sempre gostei de moda alternativa. Gastei meus primeiros salários na Galeria do Rock - importar roupas de sites gringos era luxo e quase nenhuma marca enviava para o Brasil naquela época. Eu me sentia bem com roupas justas, cheias de fivelas, corpetes, amarrações e botas de cano alto. 


Direto do túnel do tempo - 2010
Em 2010 meu quadro depressivo começou a se acentuar e eu comecei a engordar, mas nada que afetasse muito minha autoestima. Foi em 2012, quando dei à luz, que meu peso nunca mais voltou a ser o que era. Eu perdi todas as minhas roupas praticamente. Já não usava calça jeans porque perdi a conta de quantas vezes chorei em provador de loja. 

Como a moda alternativa não prestava muita atenção às pessoas gordas - até escrevi sobre isso para o blog Moda de Subculturas, já viram? - simplesmente abandonei o estilo por não encontrar peças versáteis para o cotidiano em tamanhos maiores depois que me tornei mãe. 

Meu gosto musical também foi ampliado: passei a consumir muita MPB (Chico Buarque, Elis Regina, Cazuza, Milton Nascimento) e rap nacional. Coisas que eu via com um certo preconceito na minha adolescência tornaram-se uma forma de terapia e até mesmo de estudo. Eu não me vejo mais de outra forma.



Descobri o minimalismo quando esse assunto ainda nem era moda. Eu simplesmente não tinha mais tempo pra me arrumar ou pensar em grandes produções, vestia uma calça com camiseta preta e estava tudo certo. Aquilo foi se adaptando ao meu momento e eu passei a me sentir muito mais confortável dessa forma. Eu havia perdido a vontade de me arrumar muito e até a maquiagem fui deixando de lado.

Hoje, com meu filho um pouco maior, estou reaprendendo a ser quem eu sou, a Carolina sem o rótulo exclusivo de mãe. Me considero uma gótica aposentada, como diz a Anna Costa. Acredito que precisamos deixar os rótulos de lado, inclusive no próprio meio alternativo. Porque ser alternativo não é apenas uma questão de estética, de marcas que você ostenta e puxa-saco.

Eu não mudei minha essência. Continuo acreditando na justiça, no combate a desigualdade social e no respeito. E o gótico também pode se ajustar à isso. Não vou comprar botas caríssimas apenas para dizer que as tenho em minha "coleção". Não vou comprar em sites chineses, sabendo da exploração dessa população, apenas para tirar fotos bonitas e postar no Instagram. Trazer essas questões para o modo como me visto foi fundamental. 

E vocês, como encaram o passar do tempo? Seu estilo também mudou? 

NÃO FUI EU, FOI MINHA ANSIEDADE

19 de dezembro de 2017

Desenho do artista Julian Bouhenic
Houve um tempo em que a doença do século era a tuberculose. Hoje já podemos dizer que é a depressão. E muitas vezes a depressão está associada com a ansiedade. 

É importante lembrar que ansiedade não é apenas aquele friozinho na barriga para falar em público ou fazer uma entrevista de emprego. Essa sensação é normal e pode até ser saudável. O transtorno de ansiedade pode ser tão desgastante a ponto de impedir o funcionamento normal da vida. 

Comigo não é diferente. Tenho ansiedade social: meu contato com as outras pessoas é muito difícil, embora eu nem sempre deixe transparecer que estou em pânico ao falar com conhecidos. Às vezes o gasto de energia em manter a mente sã no convívio social é tão grande que o corpo fica cansado e simplesmente apaga na primeira oportunidade.

Quantas vezes já pedi desculpas pelos meus sumiços? Eu já perdi a conta. Planejo mil coisas mas simplesmente não consigo colocar em prática por estar ansiosa. A ansiedade tira o chão que eu piso, acelera os batimentos do meu coração e me faz querer desaparecer com medo de cometer alguma gafe em público.

A ansiedade me deixa exausta.

Por vezes perco a noção de quem realmente sou quando a ansiedade está presente. Ela se agarra em mim como um bicho amedrontado. Sei que desfiz muitas amizades por causa dela. Sei também que muitas pessoas não aguentam conviver com alguém fugaz, que foge de conversas e acaba desmarcando o encontro por estar com medo. 

Eu não quero ser essa pessoa, mas isso não é algo tão simples de resolver. Aprendi, há pouco tempo, a não me achar uma pessoa ruim por ser assim. Essa não sou eu. E talvez tenha sido melhor o afastamento de algumas pessoas, elas não entenderiam de qualquer forma. 

Me isolar não significa que eu não ame as pessoas, pelo contrário. Amo tanto que tenho medo de fracassar, medo de ser inconveniente, medo de criar laços profundos e ser abandonada. Tenho medo de sentir medo, então evito situações desgastantes como uma simples visita ou uma ida ao cinema. 

Eu costumava adorar ir ao cinema e assistir filmes em casa. A ansiedade tirou meu prazer desses pequenos momentos comigo mesma. Preciso fazer um esforço enorme para me concentrar na leitura dos meus livros ou para assistir algo na TV, mesmo que seja um assunto do meu interesse.

A ansiedade faz com que minha boca esteja sempre machucada, porque eu não consigo parar de morder os lábios. Meus dedos também me causam vergonha, por estarem sempre vermelhos, por isso também deixei de fazer as unhas. Pode parecer uma coisa pequena, mas são os pequenos cuidados diários que constroem nossa autoestima.

Eu já busquei ajuda mas sei que o caminho a percorrer ainda é longo. Se você sofre com a ansiedade ou conhece alguém que sofra, tenha empatia. Seja a rede de apoio de alguém e não uma pedra no sapato.


Via Oficina de Psicologia

PRECISAMOS FALAR SOBRE A DEPRESSÃO

24 de novembro de 2017

blogs que falam sobre depressão


Desde que retornei com o blog sinto necessidade de falar um pouco mais sobre saúde mental por aqui. Eu quase não conheço blogs que falam sobre depressão e transtornos mentais. Conversando com algumas pessoas no Facebook, percebi que a maioria buscava relatos fora do padrão "bula de remédio": não é difícil descobrir o que é a depressão, clinicamente falando, mas poucos contam suas experiências. Talvez por medo dos julgamentos que certamente virão...

Nunca fui uma criança de muitos amigos, embora falasse com as pessoas, não criava vínculos facilmente com ninguém - e ainda sou assim. Nunca brinquei com outras crianças na rua e logo cedo a vida me apresentou a cara da morte, levando pessoas que eu amava. Aos 13 anos eu fiquei alguns meses sem frequentar a escola, tive um "surto" e passava horas no quarto sozinha, com meus livros e CDs.

Todo mundo tem dias de cão. Aquele dia em que tudo que você quer é sumir ou se afogar num balde de sorvete. O problema é quando a tristeza começa a podar sua vida. Eu vi minha vida desabar e procurava diversas válvulas de escape. Antes de completar a maioridade nada foi feito para descobrir o motivo da minha tristeza além de qualquer limite considerado normal para a adolescência. 

Não é fácil a decisão de procurar ajuda médica. Eu só procurei quando fui parar no hospital numa crise, perto do Natal, e não sabia dizer ao médico o motivo de eu estar ali, apenas desabei e disse que queria morrer. Voltei pra casa com alguns calmantes e uma parte de mim preocupada com o que eu seria capaz de fazer dali em diante.

Pode demorar muito até que você encontre um profissional (psicólogo ou psiquiatra) que entenda sua situação, com quem você se sinta bem o suficiente para conversar sobre sua dor. Não basta falar, é preciso ser ouvido. Procurei diversos profissionais e sempre acabava abandonando o tratamento por achar que eu já estava "curada". Passava um tempo e os sintomas da depressão retornavam: desânimo, instabilidade emocional, tristeza profunda, insônia ou muita sonolência, ansiedade, compulsão alimentar e a inevitável vontade de não existir. Interrompi diversos cursos e me sentia perdida nesse mundo.

A gravidez, em 2011, mudou completamente minha forma de ver a vida. Mas também me mostrou que a vida de uma mãe não é fácil e a partir dali nascia uma mãe. Os "amigos" se afastaram, a faculdade foi interrompida e a vida profissional não andava. Eu me tornei uma mãe solo

Comecei a sentir muito medo de sair na rua, tinha impressão de que eu morreria a cada esquina. Deixei de sair, ir a festas e me divertir. No início achei que era pela questão do envelhecimento - eu já não era adolescente, não sentia tanta necessidade de sair todos os finais de semana e agora também tinha um filho... Até passar meses sem sair de casa e, quando tentei sair, voltei pra casa com um medo que me devastou. 

A depressão não tem uma única face. Eu não estou triste o tempo todo, também passo por momentos de extrema raiva, euforia e ansiedade. Por causa disso comecei a tomar medicação - mas esse é assunto para outro post.

Somente em 2017, mais de 10 anos da minha primeira crise, é que eu comecei a sentir o efeito da terapia com a psicóloga. Semanas atrás me sentei no sofá para chorar, porque eu já nem me lembrava como era a sensação de estar em paz. Sei que ainda tenho muito chão pra caminhar em busca do autoconhecimento e do controle dessa doença. O primeiro passo foi aceitar que eu tenho depressão e que lutar contra ela é muito pior.

Muitas coisas ajudaram a me manter viva, além do meu filho. Nos próximos posts falarei sobre como a depressão influencia na maternidade, a adaptação às medicações e sobre como é importante ter uma rede de apoio, mesmo que virtual. 

Doenças mentais existem não por falta de fé, falta do que fazer, louça para lavar ou qualquer outra desculpa que as pessoas inventam para desmerecer uma doença que afeta boa parte da população. Espero contribuir nem que seja um pouquinho para amenizar o preconceito em relação a saúde mental, tão importante quanto fazer exames regularmente ou agendar um dentista. A gente precisa falar sobre isso de forma não estigmatizada e livre de preconceitos.


Ouvir as pessoas é sempre um bom remédio. Se quiser conversar sobre o assunto, estou à disposição através do Facebook. Até a próxima!

COMO NASCEM AS MÃES

7 de novembro de 2017

Lembro de um comercial que dizia "quando nasce um bebê, nasce também uma mãe". É impossível contestar as mudanças dentro da gente que começam a partir do momento que descobrimos a gravidez. Mas vou além: o nascer de uma mãe é também um ato político.

Figura ilustrando mãe e filha, com o título Como Nascem as Mães



É assustador pensar que dali pra frente você deixará de ser vista como um ser independente de sua cria - sim, infelizmente isso acontece. O nascer de uma mãe é um processo doloroso, constante e praticamente interminável. Perdi a conta de quantas vezes eu chorei desde a gestação do meu filho, hoje com 5 anos. Não sei quantas vezes ainda vou chorar, seja de medo, solidão, ansiedade, alegria ou preocupação.


Depois de ter filho, você se cansará de ouvir "E a criança, tá com quem?" quando resolver sair pra se divertir (isso se conseguir sair). Numa entrevista de emprego: "com quem ficará seu filho quando você estiver trabalhando?", sendo que a mesma pergunta não é direcionada aos candidatos homens. Isso sem falar nas tantas vezes em que nossos direitos são violados nos hospitais, maternidades e na saúde pública em geral.


Ser mãe é andar numa rua florida cheia de pedras pelo caminho. Sem romantização por aqui. Amo meu filho mas não escondo de ninguém que a maternidade foi a escolha mais solitária que já fiz. Não existe "dom para a maternidade". Existe aprendizado, escolhas, processos e muitas dificuldades. Eu nunca mais enxerguei as mulheres da mesma forma, porque nunca sabemos ao certo o que aquela mulher-mãe enfrentou até aqui. Nenhuma criança vem com manual de instruções e se já é difícil lidar com um adulto, imagine com um ser que está aprendendo a existir nesse mundo.

Muitas vezes os relatos da maternidade real ficam restritos aos grupos de apoio no Facebook, porque ninguém de fora entenderia esse furacão silencioso dentro da gente. E sinceramente eu estou bem cansada de precisar falar sobre o assunto por baixo dos panos. É conversando que a gente se conhece e se ajuda ao mesmo tempo. Se não for pra ser assim, não tem sentido continuar escrevendo!

CHÁ DE (RE)SUMIÇO

24 de outubro de 2017

Já perdi as contas de quantas vezes eu pedi desculpas pelo sumiço. Achava que não me dedicava ao blog por causa da faculdade, mas o curso já acabou e eu continuo sem ânimo, me perguntando o motivo de abandonar uma coisa que me fazia tão bem. Foi aí que eu percebi que não havia abandonado apenas o blog... Preciso aprender a lidar com a depressão para ter uma vida normal e retomar o prazer das pequenas (e grandes) coisas.

Minha primeira ida a psicóloga foi aos doze anos aproximadamente. Eu não sabia o que esperar, só sabia que algo dentro de mim estava gritando, como um bicho enjaulado. Escrevia feito louca, passava a maior parte do tempo sozinha no meu quarto ou no escuro, era a única forma de encontrar um pouco de paz.  

Colocava meu CD do Linkin Park no último volume e ninguém entendia como aquela garota quietinha conseguia ouvir músicas cheias de gritos, mas durante muito tempo isso segurou minhas pontas. Acredito que a música tenha um papel fundamental em nosso psicológico, principalmente para nos ajudar quando não confiamos em mais ninguém.

Fui diagnosticada com depressão crônica. Nunca contei pra ninguém por medo do julgamento, das perguntas inevitáveis e dos olhares tortos. Já é difícil lidar com a própria vulnerabilidade, não sabia se conseguiria lidar com o preconceito dos outros (mesmo dentro de casa).

Ter depressão é como viver coberta por um musgo violento, forte e sufocante, que te impede de sentir os raios de sol nos dias quentes e o frescor da água nos dias chuvosos. É um musgo vivo, que lhe diz constantemente que você não é capaz, que você não vai aguentar, te faz chegar a beira da loucura distorcendo a realidade. Às vezes esse musgo me toma por completo e em outras horas me deixa respirar um pouco mais aliviada. 

A vida tem sido assim, com dias bons e dias em que preciso fazer um grande esforço para sair da cama e fazer coisas básicas, como me alimentar e arrumar a casa. Sinto meu corpo cansado, com dores que nenhum exame clínico é capaz de diagnosticar. Tenho pesadelos quase todas as noites, o que faz meu sono ser irregular e, por causa disso, nada satisfatório. Há alguns dias lido com os efeitos colaterais de uma nova medicação, porque a outra já não estava fazendo efeito - e isso é desesperador.

Por que estou escrevendo isso tudo aqui no blog e não no meu perfil pessoal? Queria deixar registrado, para mim e para quem cair nesse texto por acaso, que a vida vai muito além do que vemos nas redes sociais ou no que a gente vê na superfície. Dentro de uma pessoa existe um mundo à parte, cheio de cantos obscuros e sentimentos. Saber que o outro é único é o primeiro passo para ser empático.  

Esse texto serve de lembrete - para mim e para você - que valorizar a vida não é exclusividade do mês de setembro durante a campanha #SetembroAmarelo. A empatia precisa ser exercitada todos os meses, durante todos os dias de sua vida. Temos nossa responsabilidade afetiva e um simples "bom dia, como você está de verdade?" pode salvar uma vida. 

Não sei quando volto mas (espero que) até breve!


Frases sobre noites de domingo. Quando o fim chega. Fim de domingo com gostinho de quero menos.  Leia mais: http://www.mensagenscomamor.com/frases/noite_de_domingo.htm#ixzz3VpJ7r5G7

VENDE-SE EMPODERAMENTO

11 de agosto de 2017


Você já reparou que cada vez mais a publicidade tem vendido o empoderamento em suas campanhas? Seja na maquiagem, na moda ou até mesmo nos produtos de limpeza. Essa palavrinha permeia todas as esferas de nossas vidas.

A palavra empoderamento significa dar poder a um grupo tradicionalmente excluído, emancipar, principalmente no campo político e social, dando subsídios para que essa parcela da sociedade possa se desenvolver. Ou seja, empoderar-se, de fato, vai muito além da aparência e não é uma coisa individual, acontece na coletividade.


Tenho a impressão de que o termo se tornou um produto que compramos em gôndolas de supermercado, tipo "qual empoderamento vou levar pra casa hoje?". Alguns podem pensar que isso é um grande avanço nos tempos atuais. Eu não vejo dessa forma. Até mesmo a tal visibilidade é seletiva. É fácil achar que estamos quebrando padrões dentro da sociedade quando o mesmo estereótipo é vendido, ainda que de cara nova. Pessoas com o rosto cheio de maquiagem, corpo padrão, coreografias vulgares e hiperssexualização... Onde isso é uma quebra de padrões nesse Brasil que ouvia "ela fez a cobra subir / a cobra subir / a cobra subir" (É o Tchan), nos anos 90?


Mulheres continuam aparecendo na TV praticamente nuas, pessoas trans e travestis continuam fazendo parte da indústria do entretenimento, quando muito - e só para lembrar, o Brasil é o país que mais consome pornografia que envolve trans e o que mais mata essa população.


Acredite: se esse tal empoderamento fosse algo subversivo, não estaria na grande mídia. Revolucionar e mudar a forma de pensar no Brasil não acontece da noite para o dia e não é bem aceito - nem mesmo esse texto será bem aceito, aposto. Estamos no país onde boa parte da população acha normal ter alguém limpando sua privada ou te servindo. No país que aceita pessoas trans e travestis no palco, mas não tolera a mesma trans dando aula no colégio do filho. No país que tira foto com jogador de futebol assassino mas exige pena de morte pra ladrão de margarina.


E há quem diga que agora a mulher não é mais submissa... Bom, aqui na terra onde eu vivo a maioria das mulheres permanecem caladas em casa por medo de apanhar do marido, porque dependem financeiramente deles ou por medo. Aqui onde eu vivo as mulheres são minorias nas cadeiras universitárias e quase invisíveis nos bancos de Mestrado e Doutorado. São as que ainda ganham menos e trabalham mais. Não importa o quanto as mulheres dancem até o chão nas boates, certamente continuam com medo no caminho de volta pra casa. Isso é ter liberdade e ser empoderada?


Há também aquele falso empoderamento das campanhas publicitárias das marcas de maquiagem. Esquecemos que as empresas descoladinhas continuam sendo empresas: instituições que visam o lucro acima de qualquer bem-estar social ou político. Pergunto: é interessante para essas empresas uma mulher empoderada (de verdade) sem precisar de um batom "lacrador"? A única pessoa que sai ganhando é a contratada para estampar capas de revistas e comerciais vinculados na mídia, continuamos sem provocar qualquer mudança substancial. Essa é a verdadeira apropriação, que transforma uma luta política em disputa de egos, concursos de beleza e discursos rasos.


Eu não compro empoderamento e recomendo que nenhuma mulher aceite migalhas apenas por ser "o que tem pra hoje". Exija mais, lute para ser mais. Não somos apenas consumidores, somos seres humanos e merecemos discursos mais profundos acerca de tudo que afeta nossas vidas.


Até a próxima!

AQUI QUEM FALA É DA TERRA

30 de junho de 2017

Alô, alô, marciano!

Estou desde março sem conseguir postar por causa do último semestre da faculdade mas acabooooooou *tocando we are the champions ao fundo*

Elis Regina
Também estava bem desanimada com os rumos desse mundo blogueiro, mesmo no meio alternativo, parece sempre mais do mesmo. Eu estava querendo ser uma coisa que não sou. Não uso maquiagem todos os dias e faz algum tempo que meu guarda-roupa deixou de ser alternativo, de fato. Hoje em dia sou muito mais minimalista e básica

Me tornei uma espécie de "gótica aposentada": não uso o visual, não frequento lugares e/ou casas noturnas e não procuro saber de novas bandas do estilo, prefiro as já conhecidas e tradicionais. Fui descobrir outras coisas, me reapaixonar por música brasileira, dançar com Jorge Ben e pensar através do rap - coisas impensáveis para a Carolina de uns anos atrás. 

Tudo isso acabava refletindo no que eu sentia quando abria o blog e tentava escrever alguma coisa. Passei anos da minha vida tentando ser outra pessoa para agradar os outros e isso não me fez bem. Se conhecer também implica em saber o que é feito para nós, o que podemos gostar nos outros mas não cabe em nossa vida. E eu estou num grande processo de autoconhecimento.

Enquanto preparo posts e me "aqueço" novamente para tudo isso, já estão seguindo as redes sociais? Tem a página Alternativa GG no Facebook e o Instagram (@alternativa.gg)

 
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